Sinto-me suja, e não é aquelas simples sujeira que vem após um dia rotineiro, não é uma sujeira que sai com um banho, nem com dois, e muito menos com muitos; e digo isso, porque já tentei lava-la com água do chuveiro. Sinto-me como uma poça de lama, pior, como um esgoto a céu aberto, e não consigo tampa-lo e nem ao menos disfarçar o cheiro, está tudo transbordando. Ouço um martelo nos meus ouvidos, pregando taboas com as mentiras da minha vida estampada. Nunca achei que a consciência pesada doesse tanto, sujasse tanto. Tento de tudo para reverter as coisas, mas sempre volto para o mesmo lugar. Fui eu que plantei, fui eu que provoquei, agora tenho que aguentar as consequências, mas o martelo não para de pregar, as tabuas, as tabuas que me julgam, as tabuas dos dez mandamentos, as tabuas dos juramentos. A sujeira de minha alma transborda pelas palavras, olhares, gestos, que me condenam, que me entregam, e que me fazem sujar-me mais. A única solução que encontro é sete palmos da terra, ou a verdade, mas a verdade dói mais do que tudo. Quando a cortina cair e a verdade se revelar, sentir-me-ei mais imunda do que já estou, escolho a primeira opção, ir para sete palmos do chão. Talvez eu renasça uma flor tão pura como um dia já fui, mas talvez tenha espinhos, e vire um espinho, assim como estou. A verdade lava a alma, mas dói. Mas será que dói mais do que a consciência pesada? Esperarei o tempo passar e talvez pelo banho que limpará minha alma, enquanto isso procurarei um buraco a sete palmos da terra.
Rosa, Amanda